Na comunidade de Linha São Brás, interior de Benjamin Constant do Sul, um ditado italiano ecoa entre os parreirais carregados de histórias e raízes culturais: “Lauràrse anca manjar ben”, que significa “trabalhar, sim, mas comer bem”. A frase, típica da cultura trazida pelos imigrantes italianos, encontrou significado literal durante a colheita da uva em 2026, mesmo em meio às adversidades.
A reportagem esteve na propriedade da família Mader, na tarde desta quinta-feira, 22 de janeiro, e registrou um dos momentos mais simbólicos da safra: uma mesa farta posta sob as sombras dos parreirais. Entre um cacho e outro, os trabalhadores fazem uma pausa para o lanche comunitário, onde a comida caseira, os sorrisos e as conversas reforçam os laços familiares e comunitários que marcam a agricultura do município.
Apesar da ocorrência de uma chuva de granizo durante a formação dos grãos, que impactou parte da produção, a colheita segue com dedicação e fé. O clima desafiador não tirou o ânimo dos agricultores, que mantêm viva a tradição de cultivar a uva com cuidado e paixão. As variedades mais comuns na região são Isabel, Bordô e Niágara, cultivadas em cerca de 20 hectares no município.
Nas imagens registradas, um dos produtores aparece sorrindo sob os parreirais, símbolo da resiliência do homem do campo. Em tempos em que a agricultura enfrenta incertezas, o sorriso do produtor representa mais do que otimismo: mostra a força de quem escolhe permanecer, plantar, colher e seguir acreditando.
A cultura da uva em Benjamin Constant do Sul é mais do que uma atividade econômica — é parte do modo de vida das famílias locais, que aprendem desde cedo a importância do trabalho coletivo, da valorização da terra e da celebração da colheita. Mesmo quando o tempo não ajuda, o espírito permanece firme, guiado pela esperança de dias melhores e pelo orgulho de manter viva a herança de seus antepassados.
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Por: Jornalista - Silmar Luiz Biscaro
ASSCOM - Benjamin Constant do Sul - RS
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